20 de Novembro de 2018

Não espere fevereiro: Casa do Carnaval é lugar da folia de Momo o ano inteiro

Para a alegria dos foliões mundo afora, o Carnaval de Salvador deixou de acontecer somente em fevereiro ou março. Oba! Calma, calma… é melhor explicar: a cidade inaugurou recentemente a Casa do Carnaval, um espaço expositivo inteiramente dedicado à história da festa popular. E que espaço, viu? 

Por lá, a tecnologia é a grande responsável por transmitir a energia da festa. A gente sabe que nada substitui o arrepio de quem passa pelos circuitos Dodô e Osmar nos dias de Momo, mas recursos de áudio e vídeo conseguem balançar as emoções dos visitantes.

Cenografia tem cores vivas, objetos de artistas e blocos, instrumentos e fantasias
(Foto: Verena Paranhos)

 

O espaço abriu as portas no dia 5 de fevereiro e o movimento ainda é bem tranquilo, sem filas e com poucas pessoas circulando nos quatro pavimentos do memorial. Ou seja, as pipocas de Kannário e do BaianaSystem ainda não passaram por lá. E talvez não passem, já que os ingressos não são tão acessíveis assim. Depois da galera reclamar da entrada custar inicialmente R$ 50, o valor foi reajustado para R$ 30.

Certamente, no próximo verão, a Casa do Carnaval estará na lista de paradas obrigatórias de quem visitar o Centro Histórico. E não é pouca gente que passa pelo Pelourinho, principalmente na alta temporada. Se você mora em Salvador, não espere o hype chegar. Dê um passeio por lá. Fica meio escondido, atrás da Catedral Basílica, ao lado do Plano Inclinado Gonçalves, mas é facinho de achar. Não tem placa, mas uma escultura de pierrots serve como indicação. 

Casa do Carnaval: entre a Praça da Sé e o Terreiro de Jesus 
(Foto: Verena Paranhos)

 

Se quiser conhecer o espaço com o interesse de quem pula os sete dias de Carnaval (ou oficialmente já são mais?), separe um bom tempo. O espaço físico não é tão grande, mas o material audiovisual é digno de uma volta na Avenida. Ao todo, são cinco horas de vídeo, mas você não precisa assistir a tudo: é livre para selecionar o que mais te interessa. 

Logo ao entrar, você recebe um ipod para usar nos dois primeiros salões expositivos. Depois, é só pendurar o cordão no pescoço e colocar os fones no ouvido. Os áudios estão disponíveis em portugês e inglês. Munido dos aparelhos, o visitante percorre o espaço, escolhe uma tela para assistir e no ipod seleciona o número correspondente a ela. Aí escuta um artista narrar um tema, como surgimento do carnaval, blocos afro, trio elétrico… Na escalação, estão nomes como Daniela Mercury, Ricardo Chaves, Gerônimo, Mariene de Castro, Margareth Menezes. 
 

Interatividade: o visitante escolhe a ordem que quer percorrer o circuito 
(Foto: Verena Paranhos)

 

Quem observa de fora pode achar estranho pessoas paradas em frente a telas, quse hipnotizadas pelo que veem. Mesmo solitária, a experiência é muito interessante. Não demora muito para que os visitantes já estejam embalados pelos ritmos vibrantes que escutam e pela energia que vem da rua, com suas danças e personagens populares. 

Cada tela está imersa em uma cenografia riquíssima relacionada ao tema. A mão de Gringo Cardia mais uma vez soube dosar recursos tecnológicos e objetos cênicos, como luz, instrumentos, fantasias, adereços, cores vibrantes e tudo mais que cabe no caldeirão de influências que é o Carnaval baiano. 

A Casa do Carnaval é muito bem-sucedida em reconstruir a história da grande festa baiana e seus principais atores. Os textos são bem escritos e cobrem direitinho as imagens recuperadas de arquivo. Só não vá esperando depoimentos, causos e os bastidores da festa. Se essa é a expectativa, é melhor assistir ao documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar. As grandes estrelas da festa baiana apenas emprestam suas vozes e doam objetos para a narrativa da história oficial. Ahhh! Preste atenção no vídeo com Regina Casé: talvez seja o mais pessoal e afetivo. 
 

Fone no ouvido, Ipod pendurado no pescoço e o mundo do Carnaval para explorar
(Foto: Verena Paranhos)

 

O terceiro espaço a ser visitado também surpreende em sua proposta. O título Sala de Cinema Interativo em nada denuncia o que o lugar propõe. Sem cadeiras, a sala escura tem um telão e algumas gavetas com adereços carnavalescos. Depois de assistir a uma pequena introdução de um artista falando sobre sua música, o visitante é convidado a acompanhar os dançarinos no vídeo e se soltar por 10 a 15 minutos. Acredite: parece muito melhor do que uma aula de FitDance. No entanto, a experiência foi pensada para ser feita em grupos e, com o pequeno movimento da casa, nem sempre dá pra formá-los e entrar na sala juntos. Os monitores até tentam, mas não está rolando. 

O Terraço do Samba fica no quarto pavimento e oferece uma linda vista para a Baía de Todos os Santos e para o Elevador Lacerda. A visita vale muito no final da tarde, por causa do pôr do sol. Além da beleza natural, a cenografia impressiona por reconstituir o cenário das barracas das antigas festas de largo, com suas mesinhas e banquinhos pintados. O barulhinho bom das bandeirolas ao vento é capaz de te levar numa viagem pelo tempo, sempre com um samba de fundo, claro. O local também possui espaço para um café/bar, que ainda não está em funcionamento. 

Terraço do Samba: incrível vista para a Baía de Todos os Santos e cenografia das festas populares
(Foto: Verena Paranhos)

 

Se ligue!

Casa do Carnaval @casadocarnavaldabahia
Entre o Terreiro de Jesus e \Praça da Sé; ao lado do Plano Inclinado Gonçalves, atrás da à Catedral Basílica
Terça a domingo, 11h às 18h
R$ 30 e R$ 15 (crianças até seis anos não pagam; estudantes e idosos pagam meia)

Preços e serviços apurados em março de 2018

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