20 de Setembro de 2019

Novinho quase centenário: Velho Espanha é boteco de respeito no Centro de Salvador

O cantinho preferido do cineasta Glauber Rocha para tomar uma gelada voltou a funcionar há 3 meses, nos Barris, bairro do Centro de Salvador. Depois de fechar as portas em 2012, o Bar do Espanha foi reaberto e rebatizado de Velho Espanha Bar e Cultura. Em pouco tempo, o quase centenário reconquistou a boemia ávida por movimento.

Dos meninos ainda cheirando a leite aos mais experientes na arte de entornar, o público do boteco encontra por lá rodas de samba, shows, apresentações de teatro, dança, performances, exibição de séries como Game of Thrones, cafés filosóficos e o que mais pintar. Como a programação varia a cada semana, o melhor mesmo é acompanhar as redes sociais (Facebook e Instagram).

Pedir mais uma no balcão é pretexto para circular (Foto: Ramiro Smith/Divulgação)

 

A cerveja na temperatura ideal é mais um atrativo do lugar. E o preço também cabe no bolso. Quer ver só? Brahma e Antarctica sai a R$ 8, Devassa por R$ 9, Skol e Eisenbahn custam R$ 10, Original R$ 11 e Serramalte R$ 12. 

 A cozinha do Velho Espanha é comandada pelo chef Mateus Almeida e oferta uma série de petiscos que combinam com a ambiência de boteco. Bolinhos, pastéis, caldos e sanduíches harmonizam combinações como berinjela com calabresa e carne seca com aipim. Para quem tem mais fome, há opções de pratos que servem duas pessoas, onde se destacam a carne de fumeiro com purê de banana da terra (é obrigatório provar) e o tradicional filé com fritas, que no Espanha ganha um molho especial da Casa. O melhor é que os preços variam entre R$ 12 e R$ 35 reais. Obrigado, Senhor!

Mais samba, por favor (Foto:  Ramiro Smith/Divulgação)


Pelo balcão, inclusive, já passaram itens bem distintos dos de agora. É que o estabelecimento surgiu em 1920 como um armazém, que comercializava utensílios para famílias tradicionais do bairro, que iam desde querosene e farinha de mandioca até cachaça e vinho.Se não for pego pela boca nem pela agitação cultural, o frequentador certamente será tomado pela cativante decoração, cuja estética respeita a história e a tradição do espaço.

O cenário ganha charme com luminárias retrôs e quadros que remetem ao Centro de Salvador. As paredes de tijolo aparente também abrigam ntervenções artísticas e pôsteres de filmes de Glauber e André Setaro, outro que costumava bater ponto no bar. O set típico de boteco fica completo com os tradicionais armários que expõem bebidas alcoólicas e um aconchegante balcão de azulejo.

Durante 92 anos, o Espanha funcionou sob a batuta da família Mendez Pineiro, até quando o derradeiro espanhol distribuiu sua parca simpatia aos bebedores e bebedoras do Centro. Em 2012, quando contava 80 anos, José Luiz Mendez Pineiro, ou simplesmente Seu Zé, desfez-se de sua propriedade, deixando órfãos, clientes que muito se acostumaram ao seu sotaque castelhano.

 

Esquina da Travessa dos Barris com General Labatutu: ponto de encontro da boemia
(Foto:  Ramiro Smith/Divulgação)

 

Dentre vários clientes ilustres que freqüentaram o espaço, nomes como os dos cineastas Glauber Rocha e André Setaro e os dos juristas Josaphat Marinho e Álvaro Peçanha Martins, ex-ministro do STJ. Quando questionado sobre se Glauber Rocha, o morador mais ilustre dos Barris, era cliente do Espanha, Seu Zé, hoje com 85 anos, deixa de lado seu jeito sisudo e se derrete: “Ah, não saía de lá”. E complementa: “gente boa pra porra!”.

Se Ligue!
Rua General Labatut, 38, Barris, Salvador, 71 99222-0940
De quarta a sexta, 15h à 0h; sábado e domingo, 10h à 0h; segunda, 15h à 0h

Preços e serviços apurados em outubro de 2017

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