20 de Novembro de 2019

Caminho da Paz: peregrinação e meditação no Vale do Jiquiriçá

Todo mundo diz que viajar faz bem pra alma, abre os olhos para o mundo, mas tem muita gente que escolhe lugares que descortinam o universo interior. Esse é o caso dos peregrinos, que aliam as longas caminhadas a momentos de reflexão, meditação e autoconhecimento. Os mais conhecidos são aqueles que fazem os caminhos de Santiago, por alguma das rotas que levam a Santiago de Compostela, na Espanha. Dependendo do roteiro escolhido, a caminhada leva mais de 30 dias.

(Foto: Projeto Semente/Divulgação)

 

Na Bahia também existem opções para os peregrinos, tanto para aqueles que estão se preparando para o percurso europeu, como para os que não têm pretensão de fazê-lo. Localizada na zona turística conhecida como Caminhos do Jiquiriçá, o Caminho da Paz é uma alternativa de dificuldade média a alta. 127 km são percorridos em seis dias, com início na cidade de Amargosa (a 238km de Salvador) e fim no Projeto Semente, no município de Ubaíra. Em média, se Adam 2 a 4km por hora, por conta das mochilas e do terreno íngreme.  Por isso, Boa hidartação e bom condicionamento físico também são altamente recomentados.

O Caminho da Paz pode ser feito em qualquer época do ano, mas o período entre abril e setembro é o mais recomendado para quem prefere tempo mais fresco. Afinal, o esforço será grande para percorrer a região de vale, com muitas subidas e descidas. O ideal é sair bem cedo, com o sol nascendo.

Com o objetivo de proporcionar oportunidades de meditação, reflexão e auto-conhecimento, o Caminho da Paz foi criado há 14 anos pelo médico e psicoterapeuta Antônio Presídio, fundador do Projeto Semente, que desde 1995 oferece turismo ecológico na região. Todos os anos, no final de outubro, o projeto organiza a Coletiva de Aniversário, para celebrar o caminho e reunir quem queira fazê-lo com um grupo grande. Em 2017, a coletiva acontecerá de 28 de outubro a 04 de novembro. Quem tem interesse em se juntar ao grupo, basta fazer contato por e-mail e receber as orientações. Somente nesta época, o projeto Semente se encarrega de todas reservas.

(Foto: Projeto Semente/Divulgação)

 

O caminho é seguro e muita gente prefere fazer sozinho. Para os peregrinos que desejem fazer o caminho por conta própria, o Projeto Semente fornece os contatos de pequenos hotéis e casas de moradores onde serão feitos os pernoites. Assim, pode-se reservar com antecedência e deixar tudo encaminhado. Neste caso, também se deve procurar o projeto antecipadamente para informar que o fará. O custo estimado para cada dia é de R$ 140 com hospedagem e alimentação. Planejamento financeiro também é fundamental, pois o percurso só dispõe de Banco do Brasil apenas nas cidades de Amargosa, Mutuípe e Ubaíra, com horário de funcionamento, das 8h às 13h.

O esquema é simples: no primeiro ponto, o peregrino ganha um cartão e vai recebendo carimbos nos pousos que fizer ao longo do caminho. Assim, ao terminar o percurso, ganhará o certificado.  Apesar de possuir toda a estrutura para ser feito em seis dias, o peregrino pode escolher ficar mais tempo em cada uma das paradas e explorar a região.

(Foto: Projeto Semente/Divulgação)

 

Dentro das cidades, as prefeituras não autorizam a colocação de sinalização que indicam o caminho. Então, o peregrino deve recorrer ao bom e velho modo “quem tem boca vai a Roma”. Fora delas cidades, a maior parte do percurso é sinalizada com setas pintadas na cor amarela, em estacas de cercas, árvores, postes e pedras. Mas existem alguns pontos onde as marcações em amarelo não são facilmente identificadas, o que requer bastante atenção.

Acompanhe abaixo o descritivo do Caminho da Paz e se inspire na jornada.

1º Dia: 25 km
Amargosa / Alto da Lagoinha

Já de cara o peregrino percorrerá uma longa distância. O ponto de partida é Amargosa, com altitude de 280m. A cidade é conhecida pelo São João, com forró na Praça e festas particulares nos arredores. As setas se iniciam na saída de Amargosa, pelo Rio Ribeirão. O caminho é marcado por muitas subidas e decidas, com uma parada obrigatória no km 14, onde estão algumas vendas. Já no primeiro dia é preciso estar bem preparado, pois a maioria dos comércios não possuem água mineral.

O peregrino irá dormir duas noites seguidas no Alto da Lagoinha e se hospedar em casas de moradores. De lá, certamente levará recordações e memórias de pessoas muito acolhedoras. Não deixe de perguntar sobre a história de Sr. Gregório, figura símbolo do Caminho da Paz, que faleceu em 2004.

2º Dia: 13 Km
Alto da Lagoinha / Morrinho de São José / Alto da Lagoinha  
Até Morrinho de São José,  são 6,5 Km, de subida forte. Por isso, deve-se deixar as mochilas no povoado do Alto da Lagoinha. Antes de subir, lembre-se de pegar a chave da capela com Edson. Coloque sua pedra, no monte de pedras, com o seu pedido de paz. Assim fazem todos os peregrinos. Aproveite o momento para meditar.

3º Dia: 17 km
Alto da Lagoinha / Mutuípe

Trecho de muitas subidas e descidas, com pernoite em hotel na cidade de Mutuípe.

4º dia: 26 km
Mutuípe / Jiquiriçá

A caminha é intensa, com poucos pontos para abastecimento. Mas para recompensar o esforço é indicado o banho de rio no Km. 7, Fazenda de Josafá. Chegando em Jiquiriçá, também pode-se aproveitar o banho na Cachoeira dos Prazeres.

5º  dia: 27 km
Jiquiriçá / Ubaíra

O quinto será o dia de maior caminhada. Ainda no começo, no Km 4,5, vale conferir a   Cachoeira do Boqueirão. Mas não se demore, ainda terá muito a caminhar. Em Ubaíra, visite a casa onde funciona a Associação Professora Isaura, onde são vendidos artesanato e doces caseiros.

6º dia: 19 km
Ubaíra / Projeto Semente

No km 9, o peregrino deixa a estrada principal e 1km à frente encontra um ponto de apoio, a casa de D. Judite. A partir daí, enfrentará o trecho com maior dificuldade de marcação, o que requer muita atenção. Ao chegar no Projeto Semente, reserve um bom tempo para meditar e avaliar sua jornada. Se desejar, pode estender a estadia pelo tempo que desejar. O lugar é ideal para desenvolver a consciência ecológica através do contato com a natureza. Ao fazer check in o hóspede recebe a chave do quarto e já adota uma árvore. No período em que ficar por lá, é convidado a mexer na terra, levar sementes e mudas para área de reflorestamento, conhecer a nascente de um rio, tomar banho de cachoeira e fazer outras trilhas.

Projeto Semente site
Vale do Jiquiriçá, Três Lagoas, Ubaíra, 71 98795-9382, [email protected]

Preços e serviços apurados em setembro de 2017

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