20 de Junho de 2019

Parque Estadual de Canudos: visita essencial para quem gosta de história

O Parque Estadual de Canudos (PEC) é essencial para quem gosta de história e quer conhecer de perto nosso passado republicano e a memória da Guerra de Canudos. Cruzar o portal do PEC é viajar nos relatos de Os Sertões, de Euclides da Cunha, e imaginar os seguidores de Antônio Conselheiro enfrentando o exército e a seca. 

É um verdadeiro museu a céu aberto, em que os fantasmas da guerra e a natureza são os principais atores. O cenário de caatinga e aridez impressiona quem vem de grandes cidades e, principalmente, do litoral, onde a vegetação verde e a chuva são constantes. Lá, o tom alaranjado é marcante e o silêncio determina toda a história que aquelas terras foram testemunhas.  

(Foto: Reprodução)

 

Só não vá esperando conhecer a Belo Monte de Antonio Conselheiro, com suas duas igrejas à margem do Rio Vaza Barris. Lembra as aulas de história? O local foi completamente destruído em 1897. Perto das ruínas, uma nova Canudos surgiu a partir de 1909, mas foi inundada em 1969, com a construção do Açude de Cocorobó. Em época de seca, quando o nível do reservatório baixa muito, a rui?na da igreja da Canudos pós guerra, do se?culo 20, reaparece. 

O Parque Estadual de Canudos está situado na cidade de mesmo nome, a antiga Cocorobó. A sede do município fica a 393 km de Salvador (via BR-324 e BR-116) e a entrada do PEC a 10km da BR 116 Norte. Esse trecho foi pavimentado com asfalto para facilitar a visitação. A criação do parque foi decretada em 1986, mas a inauguração só ocorreu, de fato, em 1997, ano em que se celebrou o centenário da guerra de Canudos.

(Foto: Uneb/Divulgação)

 

A visita é gratuita e demora entre 1h30 e duas horas. Vai depender do seu interesse, do número de paradas, afinal toda a área tem 1.321 hectares, e da sua capacidade de aguentar o calor! É altamente recomendado ir de carro até o local e contratar um guia na entrada do Parque. O custo em média é R$ 50 por veículo. Ainda assim, vocês devem percorrer os principais pontos de carro. Algumas paradas obrigatórias são o Vale da Morte (onde militares sepultavam seus mortos), o Vale da Degola (onde chefes expedicionários mandavam cortar pescoços de jagunços) e o Alto do Maio (ou do Maia ou do Mário), onde morreu o coronel Antônio Moreira César (1850-1897), comandante da terceira expedição, e de onde se tem uma bela vista de toda a região.

Apesar de usar o carro, preste atenção nos detalhes e olhe com atenção para onde pisa. Não se surpreenda se encontrar perdidos pelo chão, fragmentos de balas, fósseis de animais e outras reminiscências da guerra. Como estamos falando de sertão, o local é muito quente. Por isso vá munido de protetor solar, chapéu e óculos escuros. O parque funciona diariamente, das 8h às 18h. O ideal é começar a visita mais cedo, assim evita-se o sol em sua intensidade máxima, mas não necessariamente o calor. 

Em 2013, o local recebeu uma nova exposição organizada pelo fotógrafo Claude Santos. A mostra impressiona e veio a somar toda a bela composição do cenário. As imagens são apresentadas em painéis em vidro de diversos tamanhos, que chegam até quatro metros de altura, com registros de inúmeros e renomados fotógrafos que retrataram a Guerra de Canudos, seus remanescentes e descendentes de conselheiristas. Além das fotos pode-se encontrar o mapa da região do conflito e gravuras com imagens sertanejas. 

Apesar de sua riqueza em sítios históricos, arqueológicos e antropológicos, o lugar não é muito visitado. Exceto por grupos de estudantes e professores de escolas e universidades. Uma pena, porque o Parque Estadual de Canudos está demarcado, sinalizado e dotado de infra-estrutura adaptada para receber turistas. A administração fica a cargo do Centro de Estudos Euclydes da Cunha, órgão da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

O passeio fica completo com visitas ao memorial Antônio Conselheiro e o Cruzeiro de Antônio Conselheiro, em Canudos, e cidades vizinhas como Monte Santo. A região tem infraestrutura de hospedagem e alimentação, mas tudo bem simples. 

Tudo bem que Canudos fica distante de Salvador, mas isso não é desculpa para não visitar a região. A gente vai muito mais longe quando quer. No São João, o baiano costuma adentrar o interior em busca de festas e visita cidades da região turística batizada de Caminhos do Sertão. Muito populares são destinos que têm águas termais, como A Estância Hidromineral de Caldas do Jorro (no município de Tucano, a 246 km da capital) e as águas termais de Cipó (a 251km de Salvador). Um desvio aqui, outro ali, consegue-se inserir o Parque Estadual de Canudos na rota. 

Preços e serviços apurados em setembro de 2017

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